28 dezembro 2005

Com Agostinho da Silva em Brasilia

(...)
"Durante o dia andava pela Universidade. À noite dormia sobre uma esteira, entre as quatro paredes de um paralelipípedo pouco maior que o tamanho do seu corpo, feito de velha madeira, no meio do cerrado. (...)

Fui testemunha também desta extrordinária façanha da alma, e digo da alma a pensar naquela etimologia que a dá como a energia que se alimenta.Durante todo o dia, comia apenas pela manhã um pedaço de bolo inglês ou pão com queijo.

Se na hora de vir da Trapa para a Universidade ou de ir da Universidade para a Trapa, distantes uma da outra uns três ou quatro quilómetros, acontecia desabar o céu em águas por entre trovões e relâmpagos, nós, debaixo das telhas víamo-lo caminhar num passo certo, o mesmo que teria se o sol brilhasse benigno.

O seu rosto lembrava um daqueles reis que tanto gostávamos, em crianças, de olhar no pequeno compêndio de História de Portugal para a instrução primária. Havia quel lhe chamasse D. Sancho, o Povoador. A mim, ao vê-lo ocorria-me a imagem de D. João II, pela indomável vontade pintada na forma do seu queixo. O seu sonho era pôr um Português ou Brasileiro, que para ele era o mesmo, em todas as partes do mundo. (...)

Extracto do testemunho sobre Agostinho da Silva por António Telmo

2 comentários:

Anónimo disse...

E conseguiu pôr alguns portugueses em algumas partes do mundo; um deles foi António Telmo. Mais ainda: conseguiu convencer alguns mecenas a financiarem tal empresa... só ele para o conseguir!

Um abraço! Feliz Solstício, feliz renascimento!
R

Edições Casa de Estudos de Alhos Vedros (CEAV) disse...

Olá Risoleta, seja bem vinda. Obrigado pela informação. Os pormenores da passagem do António Telmo por Granada, achei que não me competia falar sbre eles, não fosse ferir algumas susceptibilidades, mas lá que são deliciosos, disso não há dúvida...