31 janeiro 2008

Guiné-Bissau


"Jornal de Letras, Artes e Ideias"

Dirigida por Paulo Borges, Celeste Natário e Renato Epifânio, a Revista Nova Águia é uma das primeiras actividades do recentemente constitu­ído MIL – Movimento Internacional Lusófono.
Homenagem à revista Águia que, no princípio do século XX, reuniu figuras como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Carneiro, António Sérgio ou Fernando Pessoa, a Nova Águia terá uma periodicidade semestral, prevendo-se a publicação do primeiro número em Junho de 2008.
O MIL auto-apresenta-se como «um movimento cultural e cívico que visa mobilizar a sociedade civil para repensar e debater amplamente o sentido e o destino de Portugal e da comunidade lusófona».
De acordo com a sua comissão coordenadora, o MIL registou, nos seus três primeiros meses, mais de 300 adesões.


30/01/08

NOVA ÁGUIA/ REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI/ ÓRGÃO DO MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
novaaguia.blogspot.com

"Filho do Sopro e da Eterna Transfiguração"

Sou um ocasional filho legítimo do Espírito Santo
Vergo a mola que nem uma mula de carga bruta
Carrego pesos de consciência ao longo dos dias
Despejo-os nalgum aterro sanitário mental desses por aí...

Sou um híbrido ser feito de retalhos de mantas e de mantras
Rezo rezas e orações aos magotes quase todos os santos dias
Banho na água da torneira que estou convencido ser benta
Benzo-me com pensamentos lançados pelo ar de forma aleatória...

Sou um máscara partida em pedaços e colada com cola-tudo e algo mais
Cimento minha relação com relacionamentos antigos e outros à toa
Rolo pelo Caminho a mais de cem à hora e sem conseguir olhar de lado
Enrolo-me no emaranhado do traçado e perco-me por entre curvas...

Sou um autêntico crente em crendices de azambuar qualquer um
Creio no infinito total e na infinidade sequencial que nos guia sem fim
Vou atrás dos que já lá vão há muito e sigo-lhes as pegadas petrificadas
Encolho-me a meio da viagem que nem um ovo filosofal de casca mole

Sou um maria-vai-com-os-outros e empalideço na Senda que me leva
Arregaço as mangas rasgadas pela brisa forte e remo até ao mar de sargaços
Recolho-me no fundo que nem um monge desses sem eira nem paradeiro fixo
Autoprego-me numa cruz perdida num monte simulado e transfiguro-me em rosa...

...No âmbito desta e de outras Eternidades que só existem no Universo da Consciência...

Escrito em Luanda, Angola, a 30 de Janeiro de 2008, por manuel de sousa, em Homenagem à Eterna Transmutação da Vida, que além de ser Eterna, é tão imortal e infinita como a Alma/Espírito Santo...

P.S.: Com muitos Parabéns ao Manuel pelo lindo poema, ao que se junta o brilhante feito da Selecção Angolana de futebol que foi apurada pela primeira vez na sua jovem história para os Quartos de Final do CAN.

28 janeiro 2008

"Ao Sabôr do Vento e do Capricho"

Nas asas do capricho vôo em vôo rasante
Vôo carregando angútias e dissabôres
Poiso no alto de um nuvem feita de sonhos
Repouso na branquitude levada pelo vento
Descanço nas virtudes da paz e do destino...

...Voltando a voar ao sabôr da Vida...

...Interior e exteriormente!...

Escrito por manuel de sousa, em Luanda, Angola, a 27 de Janeiro de 2008, em Homenagem aos Justos e Homens/Mulheres Mansos da Humanidade, que passam a Vida a velar pela Paz e pela Solidariedades Humanas...

23 janeiro 2008

Uma Língua de Fogo

20.

... UMA ROSA!

(ao Zé)

Nem relógio, nem agenda
já sei
vou-lhe dar como prenda
um livro
escrito por mim,
ou uma flor?
O mundo inteiro
talvez não
um botão de rosa
sim, é isso, uma rosa
mas em prosa caduca também não
tem de ser em poema
vou vasculhar na gramática
uma regra fora do esquema
um sítio, numa ilha escondida
um índio, um sonho
de uma floresta
uma clareira no monte
uma fonte de água límpida
enfim, uma rosa que é tudo
que é esposa e trabalho
que é filhos e de-lírio
uma flor de lis
do Luis.

Uma rosa, cor-de-rosa, bendita
sem espinhos
e dar-lhe-ei beijinhos
nem me importa o que diga o mundo
será um fruto do futuro tornado presente
um presente feito um tempo antecipado
um ser encontrado
adorado e agradecidamente amoroso
um fogo feito pomba em festa
uma dança, um transe, uma ternura
que vai direitinha a ti
de mim.

22 janeiro 2008

Padre António Vieira: A paixão de evangelizar



Portugal prepara-se para viver o quarto centenário do nascimento deste Jesuíta

I - Padre António Vieira (1608-1697), nome grande da cultura, da literatura, da política e da Igreja Portuguesa. Teria bem merecido ficar entre os 10 maiores portugueses de sempre no controverso programa da RTP. Um desses 10 grandes portugueses eleitos pelos telespectadores, Fernando Pessoa, elevou Vieira ao estatuto de "Imperador da Língua Portuguesa" nas suas simbólicas biografias poéticas que consagrou na sua Mensagem:

"O céu estrela o azul e tem grandeza
Este, que teve a fama e a glória tem,
Imperador da língua portuguesa,
Foi-nos um céu também".


A sua vida dava uma longa metragem de Hollywood, um fascinante filme de acção rodado em vários cenários: casas e ruas de Lisboa, cortes, ambientes de viagens marítimas em frotas navais a atravessar o atlântico, colégios, igrejas, floresta amazónica, palcos de guerras, naufrágios e aventuras, viagens por terra e por mar pela Europa Central,…

António Vieira nasceu em Lisboa junto da Sé. Aos 6 anos teve que se transferir para o Brasil. Acompanhou com a família o seu pai que tinha sido destacado para desempenhar funções na Alfândega de Salvador da Baía, então capital daquela colónia portuguesa. Entrou para o colégio da Companhia de Jesus daquela cidade, desejando ser missionário e dedicar a vida à conversão dos ameríndios. Tornou-se jesuíta e evidenciou-se rapidamente como um mestre da palavra: um ardente evangelizador e defensor dos índios, nomeadamente lutando contra a voragem esclavagista que grassava então nas terras de Vera Cruz.

Brilha no Brasil como pregador de palavra competente, firme e incisiva. Os seus sermões de crítica social acusam a consciência dos poderosos, convertem populações indígenas, animam as tropas portuguesas contra as investidas da pirataria, particularmente das frotas holandeses e apelam para uma igreja mais evangélica.

Mas em 1641, proclamada a Restauração da Independência de Portugal, foi convidado a acompanhar a delegação enviada pelo vice-rei, Marquês de Montalvão, a fim de jurar fidelidade e reconhecimento ao monarca português, D. João IV. Em Lisboa teve a oportunidade de revelar os seus dotes oratórios como pregador e logo conquistou a admiração não só do povo, mas também do rei que o convidou para ser seu pregador pessoal. Foi então nomeado para o importante cargo de Pregador Régio, a fim de pregar regularmente à família real e à corte.

Instituído neste papel tão influente, desempenhou um papel decisivo no aconselha-mento político do governo do reino. A pertinência e inteligência das suas propostas causaram a admiração de muitos, mas também as hostilidades de alguns quantos instalados nos seus interesses. O rei, que o admirou sempre e lhe devotou uma amizade incondicional desde a primeira hora, incumbiu-o de missões diplomáticas extraordinárias nos chamados Países Baixos, na Holanda, para defender os interesses do Portugal restaurado e angariar meios para garantir a protecção dos territórios ultramarinos, com especial atenção para o grande território do Brasil.

Na sequência das suas viagens diplomáticas propôs uma série de projectos reformistas no plano económico e social. Merecem especial menção os seus projectos de criação de companhias comerciais monopolistas, à luz do modelo das companhias holandeses e inglesas. Estas propostas vieirianas anteciparam um século os projectos pombalinos de reforma da economia portuguesa.
Mais ousada e avançada para a época foram as suas propostas de reforma da Inquisição, particularmente visavam o fim das denúncias anónimas e do confisco de bens, a abolição da discriminatória distinção social entre cristãos-velhos e cristãos-novos e a concomitante apologia do regresso a Portugal dos judeus expulsos no século anterior. Acreditava que o nosso país tinha erradamente perseguido e dispensado um grupo social empreendedor que fez a grandeza do Portugal dos Descobrimentos. Os descendentes de judeus estavam então na Holanda com a sua conhecida capacidade de empreendimento económico a sustentar a expansão do emergente império holandês, enquanto Portugal jazia em dificuldades enormes para garantir a sobrevivência do seu império ultramarino agora à mercê de piratas e da cobiça conquistadora dos novos impérios europeus.


II - Aliando o seu idealismo evangélico ao pragmatismo político, Vieira criticou fortemente o poder e os métodos do Santo Ofício português que tinha excluído os descendentes de judeus e mouros, entretanto convertidos sob a designação de cristãos-novos. Aquele tribunal impedia aqueles grupos étnicos de contribuir para a afirmação do país. Desejava uma inquisição mais pedagógica e menos persecutória.


Em favor dos índios brasileiros apresentou propostas de reforma administrativa das aldeias missionárias, mais conhecidas por reduções ou aldeamentos missionários, de modo a conceder aos padres missionários poder não só espiritual mas também temporal sobre os missionandos. Pretendia assim proteger de forma mais eficaz as populações indígenas das frequentes incursões esclavagistas dos colonos.


Todavia, este jesuíta genial, que enchia as igrejas a abarrotar e esvaziava os teatros quando pregava, não foi compreendido por muitos dos seus contemporâneos, devido às suas propostas e à sua visão crítica da sociedade, da Igreja e do exercício do poder.


A Inquisição acabou por prendê-lo e condená-lo, depois da morte do seu protector D. João IV, nos anos 60 do século XVI. As razões alegadas para a sua condenação não só tiveram a ver com a sua defesa dos Judeus, mas também com o facto de ter concebido uma utopia universalista que sonhava uma nova era ecuménica de fraternidade e compreensão entre todos os povos, culturas e sensibilidades religiosas. Esta utopia ficou conhecida pelo nome de Quinto Império.


Com base na mensagem de Cristo idealizou para o mundo a construção de uma espécie de civilização do amor, onde o respeito e a fraternidade para com os outros, para com o diferente, assim como a relação harmónica com a natureza fossem as formas de estar quotidianas. A sua utopia cristã de reunião de todos os homens num abraço universal de paz é considerada a mais generosa utopia sonhada na Europa do seu tempo. Era uma utopia que propunha uma solução para os conflitos que se agudizavam em vários pontos do globo naquele tempo da emergente era da protoglobalização.


No entanto, a sua condenação pelo Santo Ofício português acabou por ser anulada pelo Papa, na sequência de uma viagem de peregrinação que Vieira fez a Roma no final da década de 60 e onde permaneceu depois até 1675. Durante a sua estadia em Roma, depois de ter aprendido rapidamente italiano, voltou a destacar-se como um pregador brilhante, de tal modo que conquistou a admiração do Papa e até da Rainha Cristina da Suécia então exilada com a sua corte na Cidade Eterna. O Sumo Pontífice convidou-o para pregar à corte papal, a Rainha Cristina quis insistentemente nomeá-lo seu pregador pessoal. Mas o desejo do grande pregador português não era ficar longe de Portugal por maior que fosse o prestígio dos convites de tão poderosos senhores europeus para permanência longe do seu país.


O Papa deixou-o regressar e fez mais do que Vieira poderia esperar: usou da sua autoridade para moderar os excessos da inquisição portuguesa. Reconhecendo as injustiças e erros praticados nos processos judiciais do tribunal, o Sumo Pontífice chegou a suspender a inquisição durante 7 anos (1675-1681), na sequência da apresentação provada dos relatórios críticos de António Vieira sobre os modos de procedimentos da Inquisição. Foi de facto Vieira quem pioneiramente contribuiu para que a inquisição fechasse as portas pela primeira vez em Portugal.


De regresso às terras lusas, Vieira desejava cumprir, nos últimos anos da sua vida, aquele que era o seu ideal de juventude: dedicar-se à evangelização dos índios. Volta então para o Brasil e volta a realizar expedições missionárias na Amazónia e a criar aldeias missionárias nos sertões brasileiros. Por fim será nomeado pelo Superior Geral para exercer as funções de Visitador das Missões do Norte do Brasil.

Vieira além de ter elevado a língua portuguesa a uma perfeição nunca vista, explorando ao máximo as suas capacidades de expressão, de polissemia, de subtileza, contribuiu para sonhar um futuro melhor para Portugal e para a humanidade, de tal modo que o historiador francês Raymond Cantel considerou-o, nos anos 60 do século XX, precursor dos projectos contemporâneos de criação de organismos internacionais para o entendimento entre os povos do mundo, como é o caso da ONU.


Vieira, figura maior da missionação, das relações entre Portugal e o Brasil e com a Europa, cantado pelos Brasileiros e considerado um luminar da literatura portuguesa e europeia do tempo do Barroco, é um português e um homem de igreja de coração universal cuja vida e obra ainda muito pode inspirar os nossos contemporâneos que desejam um mundo mais justo e fraterno.

José Eduardo Franco, Historiador
texto enviado por Clivânia Teixeira
dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br

20 janeiro 2008

Nova Águia


Centro de Estudos Agostinho da Silva - Cursos

CENTRO DE ESTUDOS AGOSTINHO DA SILVA - CURSOS

INTRODUÇÃO À LITERATURA PORTUGUESA: O SÉCULO XX
Duarte Drumond Braga
(5 sessões, a partir de 22 de Janeiro, sempre às terças, 18h-19,30h)
1. António Nobre, Cesário Verde e a modernidade poética

2. Raul Brandão, Os Pobres
3. Teixeira de Pascoaes, o Pobre Tolo
4. Introdução a Fernando Pessoa5. Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos

UMA VIAGEM POR FERNANDO PESSO AIniciação à obra-experiência pessoana

Paulo Borges
(8 sessões, a partir de 25 de Janeiro, 6ªs feiras, 18.00-19.30)

"Perco-me todo de mim, já não vos pertenço, sou vós"– Álvaro de Campos

O Curso visa proporcionar uma vivência psicodramática e reflexiva de alguns dos aspectos fundamentais da obra-experiência pessoana, mediante a leitura comentada de textos seleccionados, assumindo-os como pro-vocação ao mergulho no abismo de si.

1. "Something in me was born before the stars / And saw the sun begin from far away. / […] It dates remoter than God's birth can reach […]" - Pré-existir ao mundo e a Deus, saudade e transmigração cósmica na poesia inglesa.
2. "O abismo é o muro que tenho / Ser eu não tem um tamanho", "Ser outro constantemente" - Vazio, omnipresença e outração do eu; o viajar-se heteronímico no Fernando Pessoa ortónimo.
3. "O essencial é saber ver, / Saber ver sem estar a pensar" – A (im)possível serenidade do "homem verdadeiro e primitivo" em Alberto Caeiro.
4. "Para ser grande, sê inteiro: nada / Teu exagera ou exclui"; "Senta-te ao sol. Abdica / E sê rei de ti próprio" – Integridade, desprendimento e soberania em Ricardo Reis.
5. "Ah não ser eu toda a gente e toda a parte !" - Do terrível "mistério" de "haver ser" à ânsia de "sentir tudo de todas as maneiras" em Álvaro de Campos.
6. "Reparei, num relâmpago íntimo, que não sou ninguém. Ninguém, absolutamente ninguém"; "Posso imaginar-me tudo, porque não sou nada" – Vacuidade do eu e ilimitada ilusão de si em Bernardo Soares.
7. "O futuro de Portugal […] é sermos tudo"; "É a Hora !" – Do "transcendentalismo panteísta" às "Índias Espirituais" e ao Quinto Império, do "Supra-Camões" ao neo-sebastianismo e ao regresso em todos do Rei Encoberto.
8 – Pessoa em nós: a loucura lúcida e a pro-vocação ao "Caminho da Serpente" – experimentar e transcender "todas as coisas", compreender a sua "vacuidade" e "ilusão" e não parar em "Deus".

Inscrições (até à primeira sessão):
Associação Agostinho da Silva, Rua do Jasmim, 11, 2º andar – 1200-228 Lisboa;
E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt;
Tel.: 21 3422783 / 96 7044286;
http: www.agostinhodasilva.pt--

17 janeiro 2008

16 janeiro 2008


Uma Língua de Fogo

19.

Abraço

Prometes
que se eu abrir o coração contigo
tu não vais rir?
se eu me desinibir e disser coisas sem sentido,
coisas que só se dizem a um amigo,
que não vais ser frio, e vais até tentar gostar?
E mesmo que seja um poema tolo
que pareça coisa de louco,
de alguém que não está no estado certo,
prometes que não vais fazer pouco?
Prometes?

E se eu te entregar o meu pobre olhar?
se eu disser que é longe
e estar-se mesmo a ver que é perto?
não me vais tentar dizer
que estou estranho, e que não percebo
a dimensão nem o tamanho?
Prometes?

E se eu não conseguir falar,
se disser as coisas a gaguejar?
Vais tentar compreender?
Vais tentar ouvir, a sorrir
sem pensar mal de mim?
Mesmo se eu fizer um ar de entendido
prometes, mesmo assim que poderei ser teu amigo?
Prometes?

08 janeiro 2008

P. António Vieira 400 anos (1608-2008)

O QUINTO IMPÉRIO

Há muito António Vieira escreve em segredo um livro sobre o V Império, inspirado pelas profecias bíblicas, mas em que o Bandarra se integra, tal o apreço em que Vieira o tem. O velho sonho: dar a Portugal a sua grandeza antiga.

Estudando profundamente as Escrituras e todos os Santos que falam do imperador que Jesus prometera à Igreja, o jesuíta está firmemente convencido que o V Império só pode ser português (os anteriores tinham sido o dos assírios, o dos persas, o dos gregos e o dos romanos).

Baseado nas palavras de Jesus ao rei Afonso Henriques na batalha de Ourique (na época, uma verdade incontestada), "quero em ti e na tua geração criar um império para mim", António Vieira crê que o rei escolhido é o Encoberto, até aí D. Sebastião. Perdida essa esperança, o pregador interpreta a linguagem vaga e esotérica das profecias para concluir que esse rei é agora D. João IV. O Quinto Império seria de ordem temporal e espiritual. Em ambos os campos, Portugal seria o guia para que se extirpassem as seitas infiéis, se reformasse a cristandade, se estabelecesse a paz em todo o mundo, através de um Sumo Pontífice santíssimo.

Esta construção ideal de António Vieira, prodígio imaginativo e delirante, começaria a tornar-se realidade se o príncipe herdeiro português casasse com a herdeira do trono castelhano. Iniciar-se-ia o Império, com Castela e Portugal sob o mesmo rei. Com novas e confusas efabulações António Vieira transfere o Encoberto para o príncipe D. Teodósio.

O rei é seduzido pelo plano. Envia Vieira a Roma para os primeiros contactos com o embaixador espanhol na cidade papal. Mas o diplomata não rejubila com a proposta. Vê nela um ardil que desconhece.

O Conde-duque de Olivares que governa Espanha fica, igualmente de pé atrás. Sabe que Vieira, nos anos anteriores andara por França e Holanda a intrigar contra os castelhanos. A sua visão curta não detecta o ponto fraco do plano português: obviamente, a aliança colocaria Portugal na dependência de Espanha, tal a diferença de poderio entre as duas nações. Pensa que a proposta revela a fraqueza das armas portuguesas e decide usar a força para derrubar D. João IV. Saiu-se mal, como o provou a História.

Mas Vieira levava uma missão sigilosa: apoiar os napolitanos, então sob o domínio de Castela, na sua revolta. O embaixador espanhol descobre a intenção e manda matar o jesuíta que escapa à morte por ter sido avisado a tempo. O plano falhava totalmente. Regressa a Portugal em 1649 - o ano em que o padre jesuíta Martim Leitão o denuncia à Inquisição, pela primeira vez.

Em Lisboa, os muitos inimigos de Vieira conspiram contra ele junto do rei já desagradado com a falta de previsão no caso de Pernambuco e agora com o malogro do casamento. Aparentemente, porém, as relações entre D. João IV e Vieira mantém-se inalteráveis. Até que, em Novembro de 1651, D. Teodósio, de quem o padre era preceptor, resolve, sem conhecimento nem autorização do pai, fazer uma incursão pelo Alentejo para tomar contacto com a guerra que ali se encarniça. Atribui-se a Vieira a instigação de tal atitude. E D. João IV afasta-o, delicadamente, do seu convívio.

É o momento que a Companhia de Jesus espera: em Novembro de 1652 ordena-lhe que regresse ao Brasil, como missionário no Maranhão. Desta vez, o rei nada faz para contrariar a sua partida.

www.vidaslusofonas.pt

Luiz Pacheco (1925-2008)


Nascido em 1925, faleceu sábado à noite, aos 82 anos.

- «O paradoxo de duas pernas» ou «Luiz Pacheco é ... Luíz Pacheco», segundo Saramago, são apenas algumas das definições atribuídas ao homem/ escritor/ editor/ crítico literário que, tal «como um meteorito, passou pelo céu de Lisboa, rebentou e ficou em milhares de pedaços incandescentes, que foram caindo, e ainda hoje caem... ».

in, dialogos_lusofonos@yhaoogrupos.com.br

ler mais em:
http://www.agal-gz.org/modules.php?name=News&file=article&sid=4018&mode=&order=0&thold=0

06 janeiro 2008

Notícias de Maputo

A edição de hoje do jornal "Notícias" de Maputo, cita a Governadora da Província de Maputo como tendo dito que a seca prolongada põe em risco a alimentação de 65 mil pessoas no território que administra.

Com 20 sistemas de rega já a funcionar, a Governadora Telma Pereira afirmou que estão em fase de conclusão mais dez desses sistemas nos distritos de Nammacha, Boane, Marracuene e Matatuíne.
No entanto, houve uma diminuição na produção de cereais e feijão, que são precisamente a base da alimentação das populações.

Leia mais em http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/102174

Margarida Castro
dialogos_lusofonos@yhaoogrupos.com.br

05 janeiro 2008

3º encontro açoreano da lusofonia

Cremos que seria de muito interesse ter uma participação sua no 3º Encontro Açoriano da Lusofonia que terá lugar de 8 a 11 de Maio em Lagoa, S. Miguel, Açores.

Nós entendemos a Lusofonia como suprarracial, supradisciplinar, supranacional - e como tal - uma intervenção sua seria muito apreciada no meio dos académicos e literatos que nos virão visitar em Maio de 2008

Junta-se uma pequena introdução, as demais informações sobre este evento subsídio-independente estão em
http://LUSOFONIAZORES2008.com.sapo.pt

Lembra-se que a data limite para entrega de sinopses e biodados com a proposta de apresentação de trabalho é a 15 de Fevereiro de 2008

com os melhores cumprimentos

ENCONTROS AÇORIANOS DA LUSOFONIA,

8-11 Maio 2008O
Presidente da Comissão Executiva
J. CHRYS CHRYSTELLO

03 janeiro 2008


Uma Língua de Fogo

18.

INICIAÇÃO

Alegria
desocupação
ir para dentro
meditar, contemplar
agir com alegria
feito uma borboleta
que resulta em furacão
como resultado da acção

Ser um dócil e alegre furacão
não sendo
funcionando por encomenda
ou por serviço
feito um noviço

um iniciado à solta
sem escolta, nem escola
que faz uns poemas
e passa por duras penas
mas que aposta numa vida alegre
através de uma vida sadia
onde o que mais conta é a alegria.

02 janeiro 2008

Moçambique, um lugar a visitar

A edição de, quarta-feira, 12 de Dezembro, New York Times, indica Moçambique como um lugar a visitar em 2008, com especial referência ao Bazaruto, na província de Inhambane.
Numa lista de 53 destinos turísticos, Moçambique aparece em n.º 31, antes da cidade de Kuwait e da estância suíça de ski de Verbier.

"Desde a independência em 1975, Moçambique passou de uma sociedade em guerra para uma das histórias de sucesso económico em África. Agora, as suas 1500 milhas (2400 Kms) de costa intacta foi actualizada para um destino turístico comercial favorável. Alojamentos de primeira classe, com baixo impacto ambiental, foram construídos no Arquipélago do Bazaruto, habitat de dugongos em perigo de extinção, corais e mangal."

Ver lista emhttp://travel.nytimes.com/2007/12/09/travel/09where.html?pagewanted=1
Extenso artigo de quatro páginas sobre Moçambique em http://travel.nytimes.com/2005/05/29/travel/29mozam.html?_r=1&oref=slogin

retirado de http://groups.msn.com/k2ohbqmal0oreimb3r1uq1jlo6/general.msnw?action=get_message&mview=0&ID_Message=53683&LastModified=4675651766985010977

Margarida Castro

01 janeiro 2008

No próximo dia 9 de Janeiro, pelas 18.30, terá lugar o segundo encontro de Meditação Inter-Religiosa, desta vez organizado pela Associação Agostinho da Silva, no Salão Nobre da Junta de Freguesia das Mercês, na Rua do Jasmim, nº 11, 2º andar.

Divulguem o mais amplamente possível esta iniciativa que visa alimentar o diálogo no silêncio profundo do Coração.

Um Bom Ano Novo solar para todos, bem Desperto, pleno de Sabedoria e Compaixão por todos os seres sensíveis !

Paulo Borges