28 fevereiro 2006

Carta de Agostinho da Silva, "one year before..."

Amigos

Ao que me parece, encontra-se agora o mundo e, sobretudo, aquela Lusitânia de que é Portugal apenas uma pequena província das Europas, mas nelas essencial, num dos momentos mais importantes, mais agudos e mais interessantes que poderiam ser imaginados. Por um lado há o estrondear, a confusão do esborear-se daquele Império Romano que o cristianismo reassegurou depois dos ataques bárbaros e que ao globo foi em caravelas e naus, tôdas mais ou menos oriundas, em facto ou em inspiração, do pinheiral de Leiria, e que vinha, no fundamental, daquele tornar prática pública, no que se podia entender com maior facilidade, a teoria grega, no direito a partir da filosofia, na engenharia de pontes e calçadas a partir de Euclides, na geometria, mas não na física, que era errada, e na penetrante, universal lógica que deu, nas legiões, seu fruto mais perfeito. Ruina também do dealbar daquele Império do Espírito Santo ou do Divino, obra essencial da Rainha Isabel, que foi pena não ter navegado, como missionário, do XIV ao XVI, mas que, graças à expulsão de Portugal de tanto adepto seu, vai mesmo, geneticamente, navegar agora, com o empreendimento em que pensa o Brasil duma Comunidade de Povos de Língua Portuguesa, e seus crioulos, filhos, por seu turno, do crioulo que o Português foi do latim, tudo afinal neto do mais vasto Indo-Europeu. O que vai haver, sem velas, excepto as desportivas, mas por aeroportos e por Faxes, é a integração dum pensamento como o de Lao-tsu, se dele é, com o do que podem inventar os mais renitentes xiitas, que os há em todas as religiões e filosofias. O que houve no Portugal da Alta Idade Média, foi apenas um avisar de sol, logo obscurecido, depois de Aljubarrota, por estar no trono o Dom João das saudades de Londres, mas que vai subir com seu calmo e forte esplendor, todo fruto de fé, que significa confiança, e de crença, que tem que ver com o coração; pelo passado transferido ao futuro, portanto eterno; pelo reinado da criança e o sumir de tôdas as prisões, quer as que há dentro de nós quer as que pululam à nossa volta. Reinado da criança e sacralização dos animais e de tudo o resto. O que temos de ter conosco é um sentido de ordem não opressiva que impeça o caos e ondas de imaginação a saudar o que ainda não veio, com uma China cada vez mais para o concreto, um Brasil todo virado ao sonho, e, no meio, uma África que nos ensine a todos, já que índio enfraqueceu por tanto século de luta. E tôda a atenção a cada notícia de aurora, talvez alguma ainda apanhada por estas vossas Folhinhas.

Lua Nova (face virada ao Sol) dêste abril de 93.


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Buda hostil a Luis de Camões!?


“Erros meus, má Fortuna, Amor ardente
em minha perdição se conjuraram,
os Erros e Fortuna sobejaram
que para mim bastava Amor somente.”



“Se para ti bastava Amor somente
amor em mim não chega para nada
pois preciso inventar o que hei-de amar
pensando que é a vida que o inventa
já que juntos nós vamos percorrendo
um tempo que também é irreal
o não ser do que é tudo a mim me anima
me recria no espaço que não há
não haver nada é tudo por que anseio
para me erguer não sendo e reteimar
que verdadeiro amor é mesmo amar
pois que nunca a ninguém apraz não ser.”



Pois resumo mais simples e com alguma pontuação, Amigo Buda:

Mesmo convictos de que não há nada,
jamais se perca em nós o dom de amar.

Eis a vida perfeita: Amar Amor.

27 fevereiro 2006

Moisés e Akhenaton

«… Por meio das conquistas efectuadas durante a XVIII di­nastia, o Egipto tornou-se um império. O novo im­perialismo reflecte-se na evolução das concepções re­ligiosas, quando não de todo o povo, pelo menos nas camadas superiores, dominantes e espiritual­mente activas. Por influência do sacerdote do deus solar de On (Heliópolis), secundado talvez por in­fluências originárias da Ásia, forma-se a ideia de um deus universal Aton, não restringido já a um país e a um povo. Com o jovem Amenófis IV, sobe ao poder um faraó que não conhece interesse maior que o desenvolvimento desta ideia divina. Ele eleva a religião de Aton a religião nacional, e é através dele que o deus universal se torna no deus único…

«… Com uma espantosa intuição dos conhecimentos científicos que mais tar­de surgiriam, reconheceu na energia da radiação so­lar a fonte de toda a vida sobre a Terra, e venera-a como símbolo do poder do seu deus. Gloria-se da alegria pela criação e da sua vida em Maat (verdade e justiça).


É o primeiro e talvez o único caso de uma reli­gião monoteísta na história humana; teria um valor incalculável um conhecimento mais profundo dos condicionalismos históricos e psicológicos da sua formação. Mas alguém cuidou de que não nos che­gassem demasiadas notícias sobre a religião de Aton. Sob os medíocres sucessores de Akhenaton, des­moronou-se tudo quanto ele havia criado. A vingan­ça dos sacerdotes exercia-se agora contra a sua me­mória: a religião de Aton foi abolida, a residência do faraó estigmatizado, destruída e saqueada. Cerca do ano de 1350 a.C. extinguiu-se a XVIII dinastia. Após um período de anarquia, o chefe militar Ha­remhab , que reinou até 1315, instaurou de novo a ordem. A reforma de Akhenaton parecia um episódio destinado ao esquecimento.

«… Entre as pessoas próximas de Akhenaton havia um homem que talvez se chamasse Tut­més, como tantos outros por essa época – a questão do nome não é de grande importância, mas a sua segunda componente tinha de ser mose . Ele era um discípulo convicto da religião de Aton, mas em contraste com o rei idealista, era enérgico e im­pulsivo. Para este homem, o fim de Akhenaton e a abolição da sua religião significavam o fim de todos os seus anseios. Ele só poderia permanecer com vida no Egipto, como proscrito ou apóstata. Talvez na condição de governador da província fronteiriça, ti­nha entrado em contacto com uma tribo semítica que para ali emigrara havia algumas gerações. Em face da desilusão e do isolamento, voltou-se para es­tes estrangeiros, e procurou neles uma compensação para os seus agravos. Elegeu-os como seu povo, e procurou realizar neles os seus ideais. Depois de ter deixado com eles o Egipto, acompanhado dos seus seguidores, sagrou-os pelo sinal da circuncisão, deu-lhes leis e introduziu-os nos ensinamentos da reli­gião de Aton que os egípcios acabavam de rejeitar. Os preceitos que este homem Moisés deu aos seus judeus, talvez fossem mais rudes ainda que os do seu senhor e doutrinador Akhenaton, talvez tenha mesmo deixado de apoiar-se no deus do Sol de On, que aquele venerara…»

In «Moisés, O seu Povo e a Religião Monoteísta»
Sigmund Freud - Junho de 1938

enviado por Abdul Cadre

26 fevereiro 2006

Vamos Todos ao Carnaval

“Todos Ao Carnaval”

Nós Carnavalamos
Eles Carnavalam
Vós Carnavaleis
Tu carnavalas
Ele carnavala
Eu carnavalo
O Mundo vê e sente o Carnaval
Vamos todos carnavalar
Pum-pum-pum
Toc-pracatoc-toc-toc
Pum-pum-catrapum
Vamos dançar até rachar
Vamos pular até cansar
Vamos brincar até o dia raiar
Vamos dormir quando o Sol despertar
Pujantes de luz e alegria...
Para mais logo continuar
A sambar...
A sonhar...
Debaixo do Lua e do seu luar...
Até da folia mais nada restar...
Pum-pum-plum
Toc-toc-toc-pracatoc
Pum-pum-catraplum...

Escrito hoje em Luanda, Angola, por manuel de sousa, a 25 de Fevereiro de 2006, em Homenagem aos alegres Foliões Carnavalescos e ao Carnaval do Brasil e do de todos os Países Lusófonos, onde este se brinca e dança..., a exemplo daqui de Angola...

24 fevereiro 2006

A quem (não) interessa a lusofonia?

José Eduardo Agualusa

Na tomada de posse do novo Governo português, José Sócrates reservou um curto parágrafo, já no final do seu discurso, para assegurar que a lusofonia constituirá um dos vértices do triângulo estratégico da política externa portuguesa, sendo os outros dois a União Europeia e os Estados Unidos. Não explicou porquê. Creio, no entanto, que vale a pena fazer a pergunta: para que serve aos portugueses a lusofonia? Ainda antes - o que diabo é isso ? Finalmente, resta uma terceira questão a considerar: estarão os chamados países lusófonos interessados na lusofonia?


Viajei bastante, ao longo dos últimos anos, pelos países e territórios onde se fala a nossa língua. Verifiquei durante essas viagens que a palavra lusofonia não significa exactamente a mesma coisa em todos esses lugares. Creio, inclusive, que a maioria dos cidadãos lusófonos não sabe muito bem o que ela significa. Mesmo no Brasil, cujos habitantes, na sua esmagadora maioria, falam português como língua materna, inúmeras vezes me achei na situação de ter de explicar o que se pode entender (ou o que eu entendo) por lusofonia. Já em Angola, em Moçambique, e até em Goa, a palavra desperta frequentemente suspeitas ferozes.

Não significa isto que se deva abandonar o termo - muito menos o conceito - até porque já não é provável que entretanto se consiga forjar outro melhor. Mas talvez devêssemos começar por investir no esclarecimento e no debate. A lusofonia é, simultaneamente, mais, e menos, do que o conjunto dos países onde se fala português. É mais, porque inclui os imigrantes lusófonos, cujo número, em países como os Estados Unidos, a França ou a África do Sul, ultrapassa até, por exemplo, a população do arquipélago de São Tomé e Príncipe. Inclui ainda fragmentos dispersos de populações de matriz portuguesa, que, não obstante o isolamento, continuam a falar português desde o berço, como acontece em Diu. É menos, porque em alguns dos países de língua portuguesa, como em Timor ou em Moçambique, só uma reduzida percentagem da população se comunica em português. Importa ainda referir que em todos os países de língua portuguesa, incluindo em Portugal, se falam outras línguas nacionais.

Presumo que no triângulo imaginado por José Sócrates a Europa represente, grosso modo, o dinheiro, os Estados Unidos a segurança, e a lusofonia a identidade. Obviamente não será fácil para Portugal manter uma identidade forte, dentro de uma Europa alargada, se perder a ligação ao espaço lusófono. O desafio para Portugal passa pois por construir, a partir da lusofonia, enquanto memória histórica, um novo rosto para o futuro, e isto sem comprometer nem a sua segurança nem a sua prosperidade.

A última questão talvez seja a mais difícil de responder. Creio que os maiores inimigos de um projecto lusófono moderno não estão fora das fronteiras dos nossos países. Vivem entre nós, e são milhões. Muitas das pessoas que em Angola, em Moçambique ou em Timor, reagem com desconfiança, senão mesmo com violência, à simples menção da palavra lusofonia, fazem-no por receio de que a sua própria identidade linguística e cultural possa ser ameaçada pela afirmação e crescimento de um tal projecto. Convém escutar e dialogar com estas pessoas, ao invés de combatê-las. São receios fundados. A língua portuguesa enraizou-se em Angola, após a independência, com uma rapidez absolutamente extraordinária, devendo ser já o principal idioma materno dos angolanos, mas isso fez-se de forma brutal e implicou resistências. As correntes xenófobas, racistas e ruidosamente antiportuguesas que hoje prosperam em Angola aproveitam-se, naturalmente, do rancor resultante deste fenómeno.

No Brasil, país gigantesco, em larga medida ignorante de si mesmo, quanto mais do que lhe é exterior, a indiferença costuma ser o principal sentimento quando se fala de lusofonia. Alguma coisa, todavia, está a mudar. A nível institucional o Brasil começou a desenhar, com o Governo de Lula, uma política externa que passa pela sua afirmação no espaço da língua portuguesa. A nível cultural assiste-se a um claro florescimento das relações entre o Brasil e Portugal, por um lado, e o Brasil e África, por outro. Infelizmente há ainda em Portugal quem veja no Brasil um concorrente no que respeita à cooperação com os países africanos onde se fala a nossa língua, ao invés de um parceiro.

Por outro lado, a forma, digamos, pouco firme, como os sucessivos governos portugueses, desde 1975, têm lidado com os regimes africanos não democráticos também não contribuiu em nada para o desenvolvimento nesses países de uma simpatia para com os ideais da lusofonia. José Sócrates talvez não tenha mostrado um grande entusiasmo, no seu discurso, pela causa da lusofonia (nem por qualquer outra causa, reconheço); contudo, a escolha de João Gomes Cravinho para secretário de Estado da Cooperação permite-nos a nós, que acreditamos nessa causa, algum entusiasmo. João Gomes Cravinho (um Cravinho de origem angolana, vale realçar, especiaria rara) conhece muito bem o terreno onde vai trabalhar e tem ideias próprias. Desejo-lhe boa sorte.

Chegou-me ás mãos vindo de outra lista este artigo
Chrys CHRYSTELLO,
An Australian in the AZORES, Portugal

21 fevereiro 2006

Edições da Casa de Estudos

Nós e o Rio
Estórias de Cá e de Lá

Luis Santos

Edições Casa de Estudos de Alhos Vedros

(livro de crónicas em suporte digital)

a Alhos Vedros,
à Língua Portuguesa,
ao Mundo.

Introdução

Este livrinho é, na sua maior parte, o resultado de um conjunto de textos que foram publicados no jornal “O Rio”, sob a direcção de Mestre Brito Apolónia, e no qual eu próprio integrei o Conselho Redactorial, embora apenas durante uns escassos seis meses. O tempo suficiente, porém, para ficar com um cheirinho do que é fazer um jornal, tendo-se traduzido numa experiência bastante enriquecedora. Até pelo prazer de ter estado junto nessa aventura com o amigo António Tapadinhas.

Todos os textos aqui apresentados, à excepção de um ou outro, foram produzidos entre Outubro de 2003 e Setembro de 2005. São o caso, por exemplo, dos dois poemas que iniciam as duas partes do livro, cuja escolha se deve, sobretudo, a razões de ordem estética. Existem muitos textos escritos antes desse mês de 2003 que também teria interesse apresentá-los aqui, mas que para já, por razões de indisponibilidade pessoal, não integrarão o livrinho. Ficará, suponho, para uma próxima oportunidade.

O livro tem duas partes distintas. A primeira, Estórias daqui contadas por lá, constitui-se por textos que foram escritos a pensar no lugar em que vivo, Alhos Vedros, e nalguns casos na região circundante, com particular destaque para o Concelho da Moita. São textos que constituem reflexões sobre algumas reconhecidas carências locais, ao nível de certas infra-estruturas, e que, neste sentido, não passam de um mero dever de participação cívica, ou se quisermos, nalgumas simbólicas ideias que podem ajudar o poder autárquico a cumprir o seu dever.

A segunda parte, Estórias de lá contadas aqui, é constituída por textos de âmbito mais alargado, concretamente por reflexões feitas sobre o tema da Lusofonia e, portanto, sobretudo dirigido ao mundo que fala a Língua Portuguesa, ou seja, aos países, aos governos e às comunidades espalhados pelo mundo que quis o destino herdassem estes verbos próprios para comunicarem.

Aqui o local e o mundo se entrelaçam, globalizando-se o local e onde o global se localiza, e dão expressão a uma forma de pensamento que não é mais do que a necessidade de alimentação da nossa alma conjunta, sempre com a Língua Portuguesa no epicentro desta espiral em forma de livro. Estando conscientes, porém, que nós não existimos sem os outros, e a quem todo o respeito é devido, mas sentindo necessidade de afirmar o que somos e o que é nosso, ponto de partida para uma conversa que se quer duradoira e fraterna, onde seja possível todos viverem em paz, com satisfação de corpo e de espírito, e numa transcendental dimensão de vida que conjuntamente teremos de conquistar.










19 fevereiro 2006


"A língua portuguesa, vem da Galiza, sim, mas não exatamente do actual estado espanhol. Da antiga Galecia, como lhe chamaram os romanos, e cuja capital era, na altura, Braga.
Por isso a língua portuguesa tanto é dos portugueses como dos galegos, bem como de todos os outros duzentos e tanto milhões espalhados por esse mundo."

Um abraço
Francisco
Do recente discurso de Sua Alteza o Aga Khan, líder espiritual dos muçulmanos ismaelitas, no Simpósio da Universidade de Évora: "Sociedade Cosmopolita, Segurança Humana e Direitos em Sociedades Plurais e Pacíficas", 12 de Fevereiro de 2006.

"Este país e esta universidade conhecem, pela sua própria história, como as culturas Islâmica e Cristã se encontraram nesta parte do mundo, há muitos séculos atrás – e como essa interacção foi enriquecedora para ambas as tradições. Este é um bom momento e o sítio certo para enfatizar as múltiplas bênçãos que surgem quando as pessoas decidem parar de gritar umas com as outras, e ao invés, decidem começar a ouvir e a aprender. "

Fonte: www.akdn.org/speeches/2006Feb12a3.htm

(enviado por Margarida Castro dialogos_lusofonos@yahoo.grupos.com.br )

18 fevereiro 2006

O Português, língua de comunicação internacional

O Português, língua de comunicação internacional”A Língua Portuguesa é, nesse ano de 2.006 – ou seja, precisamente quinhentos anos após o que se convencionou chamar a descoberta do Brasil – uma das três grandes línguas internacionais de comunicação: entende-se, por tal, “língua falada em vários continentes e que serve de veículo para os intercâmbios internacionais”.

A primeira língua de comunicação internacional, segundo as fontes de “Ethnologue”, é atualmente o Espanhol (332 milhões de falantes), depois vem o Inglês (322 milhões) e enfim o Português (170 milhões – 183 milhões com falantes de segunda língua). O Francês é falado por 72 milhões de pessoas (124 milhões se incluir-se os falantes de segunda língua). Se o Chinês e o Hindi são respectivamente a primeira (885 milhões) e a quarta língua falada no mundo (182 milhões), essas línguas são, entretanto, faladas num só país e num só continente.
(...)

Além do mais, sabemos que o Português e o Espanhol são as duas únicas línguas internacionais que crescem sem cessar na comunicação mundial, enquanto todas as outras diminuem.Na Internet, ainda, grande vetor de modernidade, o Português é a oitava língua utilizada, e o Brasil está no sétimo lugar mundial quanto a quantidade de internautas (6,8 milhões), uma quantidade mais elevada do que aquela da França, que se posiciona em nono lugar (5,7 milhões).(...)

in, dialogos_lusofonos@yahoo.grupos.com.br

16 fevereiro 2006

Trecho inicial de Caderno de Lembranças

Lá por 1905, mas nada há mais difícil do que relacionar tempo e eternidade, ou fixar-se simultaneamente nos dois planos, - os grandes pintores o fazem no olharde suas figuras -, mas, enfim, por essa altura comecei a tomar atenção no belo globo que rodava diante de nós, e atentar descobrir lugar aonde me agradasse descer para principiar minha vida. A meu lado, outros faziam o mesmo, e até discutíamos os méritos de um e outro ponto, mas sem voz, quanto me lembro, porque o nascer tira muito a memória, como depois o vim a reconhecer, concluiu Platão. Ou deu por concluído quando talvez lhe fosse seu inicial pensamento: artifícios de escritor - e passemos adiante. Quando, voluntária ou involuntariamente, quem o sabe, gostei de, a cada volta do globo, ver surgir de novo nossa península ibérica, deu-se um fenómeno curioso, o mesmo que, maquinado pelos homens, se veio a chamar zoom: À outra volta, a península estava maior, só havia uma nesga de mar de um lado e outro e uma cadeia de montanhas, bem em relevo, a limitando para o norte; ou a estou agora a ver assim, porque, donde eu a contemplava, não havia nada que fosse acima ou baixo: simplesmente era. Na outra volta, a metade que fosse depois agora de meu lado direito desaparecera, como desaparecera toda a faixa sul. Fixava-me, de facto, no que aprendi mais tarde a chamar Portugal. Curiosamente, a metade sul dele reapareceu na volta seguinte, como se quisessem que eu, mais esclarecido, pudesse escolher entre a tal de cima e esta aqui de baixo. O mar era uma maravilha de verde, azul e oiro - e era o do Algarve, claro está: Nunca mais o vi, nem na Piedade, nem na Rocha, e houve uma vez uma extensão dele no Cabo Branco da Paraíba; Onde o tinha sempre era nas páginas do Teixeira Gomes: O Poeta, ali, se lembrava do que vira do céu e decerto a Ferragudo escolheria para iniciar sua existência na terra. Não foi o meu caso: o norte tornou a aparecer, ainda mais próximo. E, para não cansar o meu leitor, se o houver, - mas o que estou escrevendo o escrevo para mim e para quem amo - o que, depois, surgiu, num máximo de profundidade, foi um encontro de rios, um que corria para oste, outro que vinha, mais modesto, do sul e do lado e tinha por nome o de Águeda, de que talvez eu tivesse tomado a resolução de ter, como um de meus padroeiros Santa Águeda; sou muito muito ecuménico, deve dizer-se, já que o outro é Omulu, de origem nigeriana e também orixá do terreiro de Olga de Alaketu, minha Mãe de Santo em Salvador da Bahia. Ao largo do rio, na beira de baixo, se alargava uma rua de casas baixas, havia um largo de altas faias, para um canto mais em altitude um cemitério (estou dando a tudo os nomes que mais tarde aprendi) que logo vi, de dentro, como lugar de volta ao céu em que pairava eu - e o foi para minha irmã Estefaninha Estrela, vejam só que nome, Estrela, como se lhe adivinhassem o destino. Mas, embora estivesse muito interessado por tudo, o que me prendeu mesmo foi que, primeiro ao lado do Águeda, depois dele se afastando, corria uma larga estrada com, de um lado e outro, mimoseiras em flor; curiosamente, o aroma que delas vem, e todos os anos a primavera o renova, esteja eu onde esteja em clima nosso (mas na realidade, qual é o meu?), é sempre o de quando o senti pela primeira vez, sinal, ao que penso, de que morrer é só vida e que sempre o terei comigo por mais que o mundo acabe. Para me regalar a vista, terei as papoulas que logo noutra volta se mostraram em mato de giestas, com que depois se espantava, nas maias, o diabo, como se, coitado, no caso de existir não o atraísse tal alegria de cor, como comigo aconteceria e ainda acontece. Decidi, pelas faias e pelos rios, pelo amarelo e pelo rubro, pelo perfume e pelo cemitério de Santo Cristo que era ali mesmo que eu queria nascer.

SILVA, Agostinho da. Caderno de Lembranças. Lisboa: manuscrito, 1986.
(prenda da Associação Agostinho da Silva aos sócios, em folhinha anexa ao Boletim Folhas à Solta, de Fevereiro de 2006.)

Os Almoços do Peixe Assado (acta)

Começar por agradecer aos Sargos e à Dourada por nos terem assistido à mesa. Estiveram o João, o Leonel e o Luis.

Concordou-se sobre a excelência do documentário "Agostinho da Silva, Um Pensamento Vivo" e discordou-se sobre os méritos do José Saramago que não sobre "As Intermitências da Morte" - apenas um dos convivas conhecia o livro. Houve alguém de fora que mandou uma boca sobre a "traição" do Nobel ter escolhido a Espanha para viver, mas concluiu-se sobre o direito à liberdade de também os famosos terem o direito de emigrar.

Reflectiu-se sobre a diferença que há entre con-versar e discutir, já que alguns só estão interessados em afirmar as suas opiniões como se não existissem também os outros. Quer dizer, no fundo ganhar a discussão como se unicamente de uma contenda se tratasse.

Falou-se sobre um convite para leitura de um conto para crianças, uma iniciativa da Biblioteca de Alhos Vedros, mas o tema não passou da informação, passando outras considerações para altura a determinar.No dia 22 do corrente mês há Jazz no Fórum, "Contra3aixos" com Carlos Barreto, Carlos Bica e Zé Eduardo.

Também se disse da importância do azeite, ser Lúcia um nome bonito e que o almoço tinha sido um prazer.

A acta será submetida a aprovação.

15 fevereiro 2006

Think I caught a glimpse



Visto que é uma abordagem ligeiramente diferente naquilo que costumo fazer e já um profissional me disse que não gosta mesmo nada dela, tenho curiosidade em conhecer mais opiniões.

Raul

http://www.pbase.com/raulcosta/image/56089463

14 fevereiro 2006

Diálogos Lusófonos

Amigos,

Segue um comentário colocado no meu blog "A Falar (Português...) É Que A Gente Se Entende" e a respectiva resposta colocada como post (entrada) com o título "Metamos a língua nos textos..."

""""""
Lucas Monteiro disse...
Vocês de Portugal não gostam de repetir que nós brasileiros falamos o mau português? Então, enfiem o seu bom português no cu que nós brasileiros vamos falar de agora em diante em bom brasileiro .


"""""""
Amigo Lucas Monteiro,

Obrigado por ter expressado a sua opinião (em bom português...).
O título do blog "A Falar (Português...) É Que A Gente Se Entende" não faz diferença entre o português de Portugal e o português do Brasil; e também não faz diferença entre estas duas variantes e as variantes de todos os outros falantes da língua pelo mundo fora, quer eles façam ou não parte da Comunidade De Língua Portuguesa.

Como deve saber, a língua portuguesa nasceu na Galiza, um estado espanhol no qual a esmagadora maioria do povo pretende que fala (e quer falar...) a língua portuguesa; sentem-se amordaçados pelas imposições espanholas que os querem obrigar a falar castelhano ou, em alternativa, uma espécie de portunhol, do qual eles têm asco e renegam diàriamente.
Como deve saber, os timorenses liam e estudavam português às escondidas e à luz da vela, para que não fossem descobertos pelos ocupantes indonésios, que viam ali uma força tremenda a dificultar-lhes os desígnios de uma unidade que eles queriam, por força, implantar. Eu, como português que sou, tenho muito orgulho em que a língua da minha pátria se tenha difundido a ponto de ser hoje falada por mais de 250 milhões de pessoas em todos os cantos do mundo, incluindo terras e gentes das mais inusitadas.
Os galegos insistem em falar português, pois reconhecem na sua terra a mãe desta nobre e bela língua, desta Flor do Lácio, desta língua que tem dado extraordinárias páginas da literatura mundial, como as escritas por Camões, Jorge Amado, Saramago, Pepetela, Agostinho da Silva, Fernando Pessoa, entre muitos outros que, pelo seu grande número seria fastidioso enumerar, embora fosse um fastio de grande nobreza.
Embora hajam discordantes, tenho a certeza que o povo brasileiro, a maior parte do povo brasileiro, comunga desta esperança de concretizar um dia, num futuro talvez longínquo, um sonho acalentado por gandes pensadores lusófonos de todas as latitudes: Um mundo mais solidário, mais aberto e mais fraterno; um mundo em que as pessoas se entendem...
A Falar Português...

Um abraço
Carlos Pereira


''''''''''''''''''''''''

Inteiramente de acordo Carlos Pereira. Belo texto.

Só não percebo donde vem a ideia desse amigo Lucas Monteiro quanto aos Brasileiros falarem o mau Português. Nada mais injusto. A Língua Portuguesa falada no Brasil é a forma mais bonita que conheço. E esse é, sem dúvida, o grande mérito dos brasileiros, conseguirem dar á Língua Portuguesa uma tão grande beleza, o que leva a pensar ter sido essa a principal razão porque Ela os escolheu a eles...

Felizmente que nem todos têm a opinião do amigo Lucas, porque seria lamentável estarmos de costas voltadas. Ainda ontem ouvi Gilberto Gil, o Ministro da Cultura do Brasil, dizer que lá no Ministério todos estão sintonizados com o pensamento de Agostinho da Silva, o grande visionário Luso-Brasileiro da Lusofonia, onde Ela, sem dúvida, aparece no seu melhor.

mais Aquele Abraço,
luis santos.

13 fevereiro 2006

Será hoje feita a abertura oficial do Programa das Comemorações do Centenário do Nascimento de Agostinho da Silva, ás 18 horas, no Centro Cultural de Belém. E, então, para animar as hostes lá vai textinho do Agostinho:

"Acho graça às homenagens
que me prestam,
excelente sinal de ilusões
que a eles restam;
sou tão humano quanto os outros,
com qualidades e defeitos
e mais as manhas que se escondem
em seus peitos; [...]
de nós nada mais deixamos
que vãs memórias,
só Deus é grande, só Deus é santo
e o demais histórias;

Agostinho da Silva
In "Uns Poemas De Agostinho"

12 fevereiro 2006

Império Luso do Oriente,
por Adriano Augusto da Costa Filho

Todos nós já lemos e ouvimos falar dos grandes impérios do passado, como o Império Romano, o Mouro, da Macedônia, da Babilônia e outros. Todavia, o outro grande império mais recente foi o Império Luso do Oriente, conseqüente das grandes navegações, descobertas marítimas, devassamento do litoral africano e o ciclo oriental; e podemos dizer na realidade que foi o último grande império existente na história da humanidade, porquanto, depois disso, o que houve mais recentemente foram pequenos impérios e ajuntamentos políticos.

Para termos uma idéia dessa grandiosidade toda, vamos a seguir fazer um detalhamento dessas grandes conquistas portuguesas e como ocorreram nos mais diversos lugares do mundo:
1415- Expedição militar toma a cidade de Ceuta (Noroeste da África), de que dava a Portugal o controle político-militar do estreito de Gibraltar, embora fosse o início das conquistas ultramarinas, todavia, os mouros com essa perda, desviaram o tráfico mercantil para outras regiões.
1419- Os navegadores descobrem o Arquipélago da Madeira.
1431- Da mesma maneira atingem o Arquipélago dos Açores.
1434- O navegador Gil Eanes atingiu o cabo Bojador, à frente das ilhas Canárias.
1445- Chegam às ilhas de Cabo Verde, sendo que, nessas ilhas foram introduzidas pela primeira vez o regime das Capitanias Hereditárias.
1445- Os portugueses atingem a região do Cabo Branco, onde fundaram a feitoria de “Arguim”.
1452- Penetração no Golfo da Guiné e atingem o Cabo das Palmas.
1471- Ultrapassam a linha do Equador e penetram no Hemisfério Sul.
1482- Chegam à costa sul da África. Diogo Cão, o navegador, atinge a foz do Rio Congo e Angola, onde foi fundada a feitoria de “São Jorge da Mina”, Luanda e Cabinda.
1488- Bartolomeu Dias atinge o Cabo das Tormentas, rebatizado “da Boa Esperança” contornando o sul da África (Périplo Africano).
1498- Vasco da Gama navegou pelo Oceano Indico até Calicute.A partir daí, Portugal encetou a formação do Império do Oriente.
1500- Formação da esquadra de Pedro Álvares Cabral, para tomar posse das terras do Brasil.
1505 e 1515- Francisco de Almeida e Afonso Albuquerque, este último considerado o fundador do império das Índias, estenderam as conquistas lusas ao Golfo Pérsico (Aden) à Índia (Calicute, Goa, Diu e Damão), ilha de Ceilão, Ilhas da Indonésia e ilha de Java, e fizeram acordos com a China (Macau) e Japão, isso já em 1517 e 1520.

A conseqüente queda do Império Português do Oriente deveu-se aos enormes gastos e à queda dos preços das especiarias na Europa, bem como à concorrência da Inglaterra e da Holanda, mormente na pirataria, e tudo isso inviabilizou a sua sobrevivência já no século XVII.
Assim sendo, como verificamos, os maravilhosos navegadores portugueses e a fibra dos heróis, conquistaram o mundo. Hoje podemos nos orgulhar das suas conquistas que, além dos impérios existentes nesse passado, existiu também o grande “Império Luso do Oriente”.

Artigo do site brasileiro Mundo Lusíada

Nevão em Évora


Foto enviada por Abdul Cadre

Três por Quatro


Alma esculpes e não pedra
a cada gesto de amor
a ti próprio te fazendo
como todo o criador

Crente é pouco
sê-te Deus
e para o nada que é tudo
inventa caminhos teus

Não digas bom o prazer
nem chames ruim à dor
toma calmo teu assento
de tranquilo espectador

Agostinho da Silva,
in, Borda D'Água 2006

11 fevereiro 2006


A forma suprema de Arte é a maneira habilidosa com que nós vamos moldando a própria Vida.

"Só... no Quartier Latin"

A Universidade Técnica de Lisboa está a comemorar os seus 75 anos deexistência.
O TUT - grupo de teatro da UTL - está a fazer 25 anos.

O espectáculo das comemorações intitula-se "Só... no Quartier Latin", baseia-se no poema "Lusitânia no Bairro Latino", de António Nobre inquinado também por textos de Camões, Cesário, Grabato Dias, O'Neill e Pessoa.

Mais do que nunca, uma criação colectiva dirigida por Jorge Listopad no Teatro da Trindade,
25 de Fevereiro de 2006, às 21:30 horas
26 de Fevereiro de 2006, às 17:30 horas
entrada livre (limitada ao número de lugares disponíveis)
anotem já nas vossas agendas e passem a palavra!

Voluntários para Goa precisam-se

A Delegação em Goa da “Fundação Cidade de Lisboa” pretende apoiar grupos de conversação em língua portuguesa constituídos por antigos alunos dos cursos de português ministrados em Panjim e Margão.

Os grupos serão constituídos por um máximo de 10 pessoas, funcionarão durante cerca de 6 semanas e deverão ser orientados por monitora em regime de voluntariado.

Aquela Instituição pretende obter a colaboração de voluntária portuguesa, de preferência com licenciatura de nível superior, que se proponha monitorar os referidos grupos de conversação.
Viagens aéreas de ida e volta, custos de permanência e “dinheiro de bolso” assegurados.

Para mais informações, contactar:
Dr. Jorge Renato Fernandes

Tel: 00 91 0832 2226398163
CampalPanjim 403001Goa – Índia

drjorge75@hotmail.com

Os Zés-Pereira

No Brasil, predominou até meados do século XIX, o Entrudo rural português.
O português José Nogueira de Azevedo, sapateiro, natural de Paredes (?) (Minho), por volta de 1846, resolveu introduzir os Zés-Pereira nas festas carnavalescas cariocas. Trata-se de uma tradição muito enraizada no norte de Portugal de onde era originário. José Azevedo terá acrescentado outro pormenor minhoto, uma mascara dos cabeçudos. A ideia pegou, e não tardaram a formarem-se cordões e ranchos (grupos organizados de foliões) prontos a desfilarem no carnaval e competindo entre si. José Nogueira, amante da folia carnavalesca, passou a ser conhecido por Zé Pereira, o primeiro símbolo da carnaval no Rio de Janeiro.

in, http://lusotopia.no.sapo.pt/indexBRCarnaval.html
enviado por Margarida Castro

10 fevereiro 2006

O Carnaval de Lazarim


O Carnaval de Lazarim, no concelho de Lamego, é sem dúvida dos mais genuínos carnavais portugueses, mantendo bem vivas tradições ancestrais que perduraram ao longo dos tempos. Máscaras carrancudas de madeira, esculpidas por artesãos da aldeia, são nesta época festiva utilizadas por jovens de ambos os sexos - os caretos e as senhorinhas.

Aqui o ritmo das escolas de samba não conseguiu ainda penetrar, o que não deixa de tirar atractivos a este carnaval autóctone, senão vejamos, mais abaixo, o conteúdo dos testamentos lidos no largo da vila.

A tradição perde-se no tempo. Conseguimos regredir no tempo, através do testemunho de um habitante da vila, que recorda ainda relatos do seu avô, e assim pesquisar mais sobre a tradição até ao ano de 1879. Por essa data, conta o nosso interlocutor, já se festejava em Lazarim o Carnaval, que assumia então contornos de uma manifestação medieval, carregada de referências ao belzebu, macabra e assustadora, em especial para os mais novos. Máscaras de madeira eram frequentemente revestidas a pele de coelho, cujo pêlo era depois rapado a lâmina de barba, deixando apenas assinalados com o pêlo do próprio animal as zonas das sobrancelhas e do bigode.Cobras e sardões, apanhados no estado de hibernação do inverno, eram também frequentemente utilizados. Pregados às máscaras de madeira serviam de ornamento a estas, deixando aterrorizadas as gentes de Lazarim.

A leitura dos Testamentos da Comadre e do Compadre é dos pontos altos dos festejos. A moça inicia a leitura do Testamento do Compadre e de imediato surgem as críticas aos rapazes da vila, com a sagacidade de quem aguardou o ano inteiro para dizer umas verdades... e disse-as todas, porque se ainda algumas guardou, então talvez seja melhor não as dizer... sabe-se lá o que vai sair ...Segue-se-lhe o moço, bem trajante e aperaltado q.b., de patilhas em riste e chapéu domingueiro. Logo na primeira quadra se repara que a toada de resposta vai estar ao nível do praticado pela sua colega. A compita provoca gargalhadas sucessivas na multidão que assiste e se diverte com a sagaz crítica social. Em Lazarim, nessa tarde vale tudo ou "aonde estivesteis tu ómem que num ouvisteis falar de ti"...

in, dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br
“Para os pobres, é dura lex, sed lex. A lei é dura, mas é a lei.

Para os ricos, é dura lex, sed latex. A lei é dura, mas estica”

Fernando Sabino
in, Jornal Recomeço, nº125
www.plinc.com.br/recomeco

07 fevereiro 2006

“Doutor Do Dia-A-Dia Da Vida”

Confronto-me todos os dias com o quotidiano
Tiro o curso superior de Doutor da Vida...
No horizonte vejo nove gruas içando materiais
Constroem-me uma nova imagem em escala real
Falo assiduamente com meus próprios botões
Com se relatasse um jogo amistoso de futebol
Pinto a face com cores de barro cozido
Pesco sentimentos no meio da multidão
Usando uma rede telefónica toda esburacada
Lanço a linha ao Céu para fisgar Estrelas e pirilampos
Apago as lâmpadas para melhor visualizar as Galáxias
Quero ser em sonho a Via Láctea quando crescer
Jogarei ao berlinde com os Planetas no meio do Universo
Escutarei as explosões de uma imensidão inúmera de Sois
Vaguearei misturado nos invisíveis fluídos energéticos
Serei discreto quando passar pelo Mundo Espiritual
Procurarei não alertar a Alma Criadora desta Existência
Aproveitarei para me alimentar do conhecimento necessário
Mergulharei de ânimo leve na clarividência que nos ilumina
Desembrulharei todos os objectos ainda ocultados
Buscarei mistérios encerrados nas profundezas do Pensamento
Destaparei a cara e olharei de frente para o reflexo do espelho
Não mais serei escravo da vontade sublimar nem da carne
Passarei definitivamente a usar o avental do Serviço Eterno...
Brilhando de intensa Luz para quem me quiser ver luzir...

Serve este nosso singelo poema para Homenagear todos os Obreiros da Humanidade, incluindo aqui, sobretudo nesta ocasião de profunda consternação, S.Exa. o Ministro do Interior do Governo de Angola, o Sr Osvaldo Serra Vandunem, que faleceu no último Sábado, dia 4 de Fevereiro, na Cidade de São Paulo, Brasil, no decurso de uma intervenção cirúrgica, em virtude de problemas de saúde, os quais ainda não são do domínio público...
Antes, havia exercido a função de Embaixador de Angola em Portugal, e tido por muitos, como uma pessoa simples, íntegra e de exemplar perfil social e político...

Escrito por manuel de sousa, em Luanda, Angola, a 6 de Fevereiro de 2006..., com sentidos pêsames para a Família enlutada do ora malogrado Respeitável Sr Osvaldo Serra Vandunem...

“Que o nosso adeus, seja antes, um até breve!...”

05 fevereiro 2006

1906 - 1996 Comemorações do Centenário do Nascimento de Agostinho da Silva

PROGRAMA DAS COMEMORAÇÕES

Comemora-se este ano o Centenário do nascimento de Agostinho da Silva, por iniciativa conjunta dos Governos português e brasileiro e da Associação Agostinho da Silva. Figura absolutamente ímpar da cultura luso-brasileira, Agostinho da Silva deixou, entre a sua vinda ao mundo, a 13 de Fevereiro de 1906, e a sua partida dele, no domingo da Ressurreição, em 3 de Abril de 1994, uma vida exemplar e pujante de pensamento e acção: das traduções e estudos clássicos à educação popular, da insubmissão perante o antigo regime à prisão e auto-exílio no Brasil, da fundação de universidades e centros de estudos ao aconselhamento de presidentes, governos e políticas culturais, da criação de vasta rede de amizades em todo o mundo à partilha dos recursos com os mais necessitados, do domínio de múltiplas línguas à publicação de imensa obra pedagógica, científica, literária e filosófica, da conversão da casa de Lisboa em tertúlia aberta à intensa e viva presença mediática. Espírito livre, inconformista e original em todos os domínios, colocou as ideias e a vida ao serviço do pleno cumprimento de todas as possibilidades humanas. Em conformidade, e na linha de Luís de Camões, Padre António Vieira, Fernando Pessoa e Jaime Cortesão, intuiu a superior vocação da cultura portuguesa, brasileira e lusófona como a de oferecer ao mundo o seu espírito fraterno e universalista, contribuindo para a criação de uma comunidade ético-espiritual mundial onde se transcendam e harmonizem as diferenças nacionais, culturais, políticas e religiosas. Inspirador da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), antecipou a urgência da sensibilidade ecológica e ecuménica, propondo um verdadeiro diálogo inter e trans-cultural, inter e trans-religioso, entre o Norte e o Sul, o Ocidente e o Oriente, como forma de superar preconceitos e antinomias que sempre resultam em desarmonia, opressão e guerra. Pensador do terceiro milénio, é hoje referência incontornável da cultura lusófona e do debate de ideias que, num ciclo conturbado da civilização, pode promover um novo Renascimento integral e planetário.

Presidente da Comissão do Centenário: Paulo Borges
Secretário Executivo: Renato Epifâneo

EVENTOS - 13 Fevereiro de 2006 Abertura das Comemorações do Centenário de Agostinho da Silva/ Apresentação do Programa - 18h, no Centro Cultural de Belém Exibição do Filme Agostinho da Silva: um pensamento vivo, de João Rodrigo Mattos - 21h30, no Fórum Lisboa e em muitos outros locais, em Portugal e no Estrangeiro (ver site da Alfândega Filmes: www.alfandega-filmes.com/agostinhodasilva.html)O documentário de criação “AGOSTINHO DA SILVA- UM PENSAMENTO VIVO” de João Rodrigo Mattos, produzido pela Alfândega Filmes, vai ser exibido em simultâneo, através do projecto 100x100, em diversas cidades, nacionais e estrangeiras (em colaboração com o Instituto Camões e GRCI), comemorando assim o Centenário do nascimento deste ilustre pensador português.

OUTROS EVENTOS, ver ou contactar:
Associação Agostinho da Silva Rua do Jasmim, 11, R/C – 1200-228 Lisboa;
Tel.: 21 3422783
www.agostinhodasilva.pte-mail:
agostinhodasilva@mail.pt;

03 fevereiro 2006

5º Colóquio Anual da Lusofonia em Bragança
dedicado à Galiza, entre 2-4 Outubro de 2006
com o apoio da Câmara Municipal de Bragança

Pela Comissão Executiva Helena & Chrys Chrystello
contactos:
Telemóvel/Celular: (+ 351) 919287816
E-mail: ; lusofonia@sapo.pt;
Website http://lusofonia2006.com.sapo.pt/ .

02 fevereiro 2006

A Língua Portuguesa em Goa

A língua portuguesa em Goa tem futuro? Para que tenham uma ideia sobre o Estado da Língua Portuguesa no Ex-Estado da ìndia Portuguesa, começando por Goa , passo-vos o depoimento do Prof. Teonónio R Souza goês , padre jesuíta, Universidade Lusófona (Portugal) :
(...)
O celebrado historiador da expansão portuguesa, Prof. C.R. Boxer explicava o sucesso dos portugueses perante formidáveis inimigos asiáticos, bem como face à concorrência comercial intensa da parte de muito mais ricas companhias holandesa e inglesa, citando o ditado português "quem teima consegue".


Já temos um Consulado Geral em Goa desde 1994. Muito antes disso a Fundação Calouste Gulbelkian já tinha preparado um bom ambiente de colaboração cultural, e posso dizer com orgulho que participei activamente neste processo. A Fundação Oriente tem conseguido nos últimos quinze anos adaptar bem a sua actuação aos interesses locais em Goa, evitando os protagonismos que os portugueses adoram e que os indianos levam a mal. Facilita, por exemplo, bolsas aos goeses influentes na vida local e que queiram visitar Portugal (e que provavelmente aproveitam a oportunidade para visitar outros países do espaço Schengen onde têm familiares). São concessões que ajudam a criar laços de amizade e uma abertura mental que permite outros tipos de intercâmbio cultural em Goa.

A Fundação Oriente também subsidia uma dezena ou mais professores para manter os cursos de língua portuguesa nas escolas de ensino secundário que optaram pela língua portuguesa como língua de opção, mas não conseguem arranjar número suficiente de candidatos para serem eligíveis ao subsídio do governo. Existem também alguns centros culturaís de iniciativa privada, tais como Indo-Portuguese Friendship Socíety, e o Instituto Indo‑Português. A Fundação Oriente apoia os cursos de língua portuguesa nestes Institutos em Panjim e em Margão.
(...)
Fonte : www.geocities.com/Athens/Forum/1503/lusof_goa.html

(enviado por Margarida Castro dialogos-lusofonos@yhaoo.com.br )

Escultutas hiper-realistas - Ron Mueck









(enviado por Luis Mourinha)