14 janeiro 2006

O Prémio D. Dinis

A respeito do Prêmio D Dinis foi criado com o produto da pensão atribuída a Agostinho da Silva(grande figura como humanista ligado ao Brasil, Portugal e Senegal) . Este fundo é, desde 1992, gerido pelo Montepio Geral (http://www.montepiogeral.pt/).

Perguntei ao Luís Santos o que sabia a respeito. D. Dinis é uma figura lusófona, assim como o Agostinho Silva, que devemos conhecer.


Margarida Castro

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Olá Margarida, bem haja!

Conheço alguma coisa.

Como sabe o Professor Agostinho da Silva inspirava-se muito no ideal português doo séc. XIII, com D. Dinis e a Rainha Santa Isabel à frente, e no culto popular do Espírito Santo que foi trazido de Aragão para Portugal pela Rainha Santa e por Francesco di Flório, se não erro no nome, um frade italiano que a acompanhou nesta sua vinda para Portugal.

D. Dinis, nas palavras de Fernando Pessoa, foi "o plantador de naus a haver", o tal que protegeu e transformou os Templários na Ordem de Cristo, no seio da qual terá nascido o projecto dos Descobrimentos que traçou, na época, as tais inéditas auto-estradas pelo mar, levando a Língua Portuguesa e expandindo mais a mensagem de Cristo ao mundo, entre muitas outras coisas boas (e também algumas más...).

D. Dinis, creio eu, era uma das principais referências do Projecto Global Lusófono que Agostinho da Silva vinha professando. Também Luis de Camões, Padre António Vieira e Fernando Pessoa, eram outras das grandes figuras do devir da Língua Portuguesa que Agostinho referia com maior centralidade, entre outros.

Uma vez que o visitei na sua casa, o livro que tinha mais visibilidade eram as Crónicas de D. Dinis, escritas por Rui de Pina. Ali estava o livro, bem à vista, em cima de um banco, bem ao nosso lado, e sempre nos fez companhia ao longo da conversa, ou talvez deva dizer do monólogo, porque quando ia a sua casa era para o ouvir falar, porque ele tinha muitas histórias para contar. Todas elas deliciosas.

Bem, quando o Governo Português, em 1992, lhe quis dar uma pensão vitalícia, penso que pelos anos que trabalhou em Portugal como professor do Liceu até ao início da década de 40 ( depois foi perseguido, preso e expulso do país pelo Governo Autoritário que, então, tinha o país), ele não aceitou recebê-la para seu uso e logo a transformou no Prémio D.Dinis.

O anúncio do concurso para atribuição do Prémio foi feito, mais uma vez, há poucos dias nos jornais.

Deverá estar a sair o Programa das Comemorações do Centenário do Nascimento do Professor que terá o dia 13 de Fevereiro como data fulcral. Estejamos atentos.

grande abraço,
Luis Carlos dos Santos.

5 comentários:

Anónimo disse...

Luís,

Onde será que consigo encontrar o Regulamento do Prémio?

Gostava de divulgar!

Margarida

Anónimo disse...

A propósito da língua portuguesa na norma européia ou na norma brasileira, diz -se ou publica-se tanta coisa sem fundamento! E poucos denunciam estes absurdos!

Num livro, intitulado “Lonely Planet” , uma publicação para turistas que visitam o Rio de Janeiro , informa-se: O português brasileiro é diferente do português falado em Portugal. O livro explica as razões das diferenças.Uma delas é que a diferença resulta da influência da maioria dos falantes da América Latina, terem a língua castelhana. No citado trabalho, acrescenta-se ainda que depois de o Brasil ter sido povoado pelos portugueses, a fala em Portugal também mudou muito, em resultado da língua portuguesa se ter afrancesado, após Portugal ter sido invadido pelo Napoleão.

E esta. Acredita nestes argumentos?

Nada a comentar?

Edições Casa de Estudos de Alhos Vedros (CEAV) disse...

A Língua Portuguesa falada em Portugal também difere de região para região.

Também o Inglês que se fala nos EUA não é igual ao da Inglaterra, etc.

A Língua é uma coisa viva que se encontra em permanente mutação e, portanto, sujeita a desenvolvimentos específicos conforme os lugares.

Para mim gosto de pensá-la como a minha Pátria, no sentido de um devir fraterno, solidário, livre e pacífico.

E, fico-me por aqui, porque me incomoda falar para anónimos.

OPovo disse...

o meu amigo tem alguma coisa contra o anonimato, não tem...será trauma de juventude?
Já agora, fazer triagem dos comentários é uma boa solução para quem não acredita na democracia.

Edições Casa de Estudos de Alhos Vedros (CEAV) disse...

Caro senhor opolvo
Não tenho nada contra o anonimato. Contra algum tipo de críticas que se escindem atrás do anonimato, tenho. Depois uma pessoa é livre de conversar com quem quer. Ou será que no seu espírito democrático não entra este tipo de democracia.