15 setembro 2006

O Estado da Arte

Em breve o Sol, pela segunda vez este ano cruzará o Equador, desta vez em direcção ao sul. Aparentemente, como sabemos.

O povo diz que o Sol anda mais baixo. Mas não. O sol não tem alto nem baixo e todo ele é um olho, e chega onde vê e aquece quanto lambe.

Deveria dizer também qualquer coisa sobre alguns planetas, mas sinceramente não percebo nem ando a par das astrologias, de maneira que fica para uma próxima vez. Alguns amigos meus percebem bastante. Depois conto-vos. Já a lua cheia não perdoa e põe tudo numa roda viva. Obviamente, deixa tudo mais iluminado quando o céu está limpo, mas algumas mentes reagem mal e estragam-se. Nos crimes, nas estradas, nas bebedeiras.

Por cá, nas zonas temperadas do norte, onde o clima nunca ganha uma verdadeira dimensão tropical, os corpos contraem-se. Mais juntos andam e menos loucos ficam. Pudera, em larga medida acabaram-se as férias e as cabeças baixam-se e olham mais que nunca a rudeza da vida.

À volta do mar mediterrâneo as andorinhas despedem-se e as uvas apanham-se.

Umas nuvens espalham-se por Portugal inteiro, entrando pela porta norte e algumas águas mandam-se delas abaixo como se precisássemos de ser regados. E não é que precisávamos mesmo. As terras estavam a secar e o gado precisa de pastar. Há por aí alguém que percebe muito disto. Com a chuva mandou também algum frio.

Dou por mim a vestir a primeira camisa de manga comprida desde há meses. Alguma coisa muda, mas não há novidade. O ritual repete-se. Até mesmo no caso em que o trabalho me chama e é necessário obedecer, entristecendo pela perca de liberdade, pela carga da responsabilidade, pelo aumento da puta da idade, logo a cabeça se raspa e vai criar literatura, porque sabe muito bem que aí é que está bem.

2 comentários:

Nádia Chaia disse...

Luís,
O texto é seu? Adorei!!!!!

Edições Casa de Estudos de Alhos Vedros (CEAV) disse...

Efectivamente foi escrito por mim. Mas saber de quem é, decerto será tarefa mais difícil.