08 dezembro 2006

O aborto em referendo

A pergunta em referendo será: “Sim ou Não, à despenalização da IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez) quando feito durante as dez primeiras semanas de gravidez em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”

Em princípio, pela despenalização - SIM!

Mas votar Sim pela despenalização não é equivalente a votar a favor da prática do aborto. O referendo a que vamos ser chamados é sobre a questão da despenalização criminal e não sobre a legitimidade da prática do aborto.Existem casos em que se poderá compreender muito bem a decisão de abortar como serão o caso das violações, grandes degenerações genéticas verificadas no feto em tempo útil, etc. Nestes casos a decisão, parece-me, deve caber unicamente aos próprios.De resto, tenho dificuldade em julgar alguém que em consciência própria, esclarecida, se decida por fazer um aborto. Por isso estou inclinado a votar pelo SIM à despenalização, embora esteja aberto a ser convencido do contrário.

Se der para fazer uma lista extensa de casos em que seja razoável aceitar a prática do aborto e outra em que a questão deixa de ser admissível, então aí, talvez possa mudar o sentido do meu voto.Também acho que não é só a questão da despenalização que deve ser debatida. O problema deve ser aberto a um debate o mais amplo possível, mais que não seja para se perceber melhor os prós e os contras.
Mas nitidamente me parece que um debate sobre a prática do aborto não poderá deixar de passar pela primazia da defesa da Vida.

Enfim, satisfaz-me pensar que a emancipação cívica face aos poderes partidários instituídos está a passar por aqui. Bem hajam.


cf., Carlos, A Despenalização do Aborto em Debate, http://pauga.blogspot.com , Dez. 2006.

3 comentários:

Anónimo disse...

Sim ou não...
o que interessa é a vida...
seja a do veto ou a da mãe.

E que todos tenham um Feliz Natal
e muita saúde!!!

Abraço
JJCN

Notícias AAG News disse...

A lei de despenalização do aborto até às dez semanas, não obriga nenhuma mulher a abortar, porque se a religião que professa uma mulher a impede de abortar, então não aborta, a lei facilita quem tem menos recursos e possibilidades de abortar clandestinamente com as mínimas condições de segurança, que agora são apenas as mulheres que têm melhor nível de vida.
As famílias que têm um melhor nível de vida, podem dar-se ao luxo de abortar clandestinamente com boas condições e podem até dar-se ao luxo de ser contra a IVG, aventando aspectos morais ou de consciência e criar até definições do que é a vida, onde começa onde acaba, até podemos especular se há vida depois da morte, são luxos...a lei de despenalização da IVG, não é para essas pessoas, mas sim para os casos anónimos e banais que devem continuar anónimos e banais e não ser expostos na praça pública com julgamentos morais de pessoas que se julgam no direito de moralizar sobre a vida das outras pessoas que têm menos recursos.
A vida de uma mulher será sempre mais importante para mim do que a vida fetal até às dez ou mesmo as doze semanas.

Luís Guerreiro

Edições Casa de Estudos de Alhos Vedros (CEAV) disse...

Andei a passear pelo blog das notícias aag e gostei muito. Não deixem de visitar. É o verdadeiro artista. De Alhos Vedros. Mas há mais. Daqui a um tempinho vão ouvir o eco qu'isto dá...