02 dezembro 2006

um altar em construção

É verdade ou não
que inventaste uma nova religião
nunca foste a uma missa, nunca fizeste comunhão
depressa largaste a lei do Tao
a pureza matemática macrobiótica,
meditação transcendental, o Induismo, os Vedas
a primeira abandonaste, os outros nunca tentaste.
Arreda Satanás,

É verdade que te ligaste aos espíritos antepassados
aos mortos que continuam vivos
princípios gerais de primitivos animismos
vagueiam-te pelos pensamentos
elementos simples de livres budismos,
tu amante de diárias leituras cristãs
que tal como todos os jurados caminhos
de místicos, profetas e videntes, em ascensão
procuram as portas da libertação, da carne
anúncios de uma outra proeminência.
Arreda Satanás,

Sentes-te um Português de longe, não é?
conquistador, navegante, templário
de cruz vermelha em manto branco ao peito,
combatente não activo de Dinis
militante pacifista universal
de um lugar para a Língua Portuguesa,
um mensageiro de Isabel
que te trouxe a coroa de Rei dos Judeus
a coroa dos eleitos, do Espírito Santo
a lembrar as insígnias no alto da cruz,
um cavaleiro de Jorge
um vencedor de dragões
um sinaleiro de pombas.
Arreda Satanás,

Agora que todos juntaste é verdade ou não
que temos uma nova religião?
A religião das religiões.

Assente em rudimentar filosofia, é certo
numa pretensão de ser tudo
aprendiz de Deus entre deuses
quando se é pouco mais que nada
de fracos poderes entre os vivos
entre firmes pilares de limitados horizontes
todavia, um ser nada que não é vazio
um nada absoluto sedento de liberdade
troca-tintas de exercícios orientais, físicos e mentais
praticante de preces locais
com poderes especiais no jogo da vida

De uma Vida que em si é tudo
em curtes vegetarianas a meio tempo
curioso de práticas reikianas
buscador de apostólicas energias de cura
de revelados óleos essenciais
ou de naturais essências
que também vêm através das ciências
e do que mais estará por vir
porque tudo isto é tanto muito pouco

Luis Santos

5 comentários:

Margarida disse...

Luís, Não conhecia a sua veia poética. Parabéns.Um altra em construção! As patrias da língua portuguesa? muito por fazer.

Margarida

Anónimo disse...

Luís, Escrevo de novo.
Corrijo a palavra que escrevi errado no texto anterior.

Um altar em construção! As pátrias da língua portuguesa? Muito por fazer. Sim, porque para mim temos diferentes pátrias com o elo comum na língua portuguesa. Precisamos de nos conhecer...

Margarida

luis santos disse...

Quase tudo por fazer e, simultaneamente, quase tudo feito... que vida curiosa esta. Beijinhos, beijinhos.

Gi disse...

Vim retribuir a visita (uma óptima desculpa para vir espreitar :O) ).Tem aqui um espaço ecléctico a que vou voltar com tempo.
Gi

Edições Casa de Estudos de Alhos Vedros (CEAV) disse...

Obrigado Gi, volte sempre.